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Método x Caráter

terça-feira, 30 de março de 2010

Não basta ter conhecimento técnico, para que um cidadão possa ser verdadeiramente útil a um grupo se faz necessário o equilíbrio adequado entre as competências técnicas, administrativas, psicossocial e políticas.

Podemos de um modo geral afirmar que em uma comunidade onde as pessoas apresentam um caráter vicioso não adiantam as leis, pois os mesmos não vão respeitá-las. Em contrapartida, em uma comunidade onde as pessoas apresentam um caráter virtuoso as leis não são necessárias, portanto o caráter é infinitamente mais importante que o método, a regra escrita, a norma ou qualquer procedimento documentado.

Podemos aproveitar aqui, de uma maneira adaptada, o resultado obtido por Aristóteles (350AC) no estudo sobre o Caráter, onde chegou à conclusão que com base no caráter os seres humanos estão divididos em 6 grupos:

Grupo 1
Chamado, pelo autor, como Santificados, composto por pessoas com missões especiais, como: Madre Tereza, Irmã Dulce, Gandhi entre outros;

Grupo 2
Chamado de Virtuosos, que nos dias atuais poderíamos classificar que são aquelas que ao encontrar uma carteira com documentos e dinheiro a devolvem ao dono ou entregam a uma autoridade e ficam “tanquilos” com sua consciência, ação e caráter alinhados;

Grupo 3
Chamado de Continentes, que nos dias atuais poderíamos classificar que são aquelas que ao encontrar uma carteira com documentos e dinheiro a devolvem ao dono ou entregam a uma autoridade, mas não ficam “tanquilos” com sua consciência, se perguntando qual a vantagem que poderia tirar daquela situação, ação e caráter não alinhados;

Grupo 4
Chamado de Incontinentes, que nos dias atuais poderíamos classificar que são aquelas que ao encontrar uma carteira com documentos e dinheiro não a devolvem ao dono e nem a entregam a uma autoridade, mas não ficam “tanquilos” com sua consciência, se perguntando sobre o prejuízo do ex dono, ação e caráter não alinhados;

Grupo 5
Chamado de Viciosos, que nos dias atuais poderíamos classificar que são aquelas pessoas que ao encontrar uma carteira com documentos e dinheiro não a devolvem ao dono e nem a entregam a uma autoridade, e ficam “tanquilos” com sua consciência, nem se perguntando sobre, ação e caráter alinhados;

Grupo 6
Chamado como Bestiais, composto por pessoas que quase não apresentam civilidade e que dificilmente poderiam fazer parte de um grupo produtivo.

Pautado neste estudo Aristóteles chegou a uma segunda conclusão, ele observou que os grupos de pessoas têm suas características alteradas com base na “copiação”, ou seja, em uma comunidade onde o índice de virtuosos é predominante, a tendência é o aumento (quantitativo e qualitativo) do número de virtuosos, enquanto que em uma comunidade onde o índice de viciosos é predominante, a tendência é o aumento (quantitativo e qualitativo) do número de viciosos.

Isto posto, verificamos a importância dos educadores e administradores empreenderem esforços na preparação das nossas crianças, jovens e trabalhadores para que tenham em seus perfis competências, tais como: responsabilidade, honestidade, disciplina, atitude, compromisso, etc., afim de que atendamos positivamente novas demandas, pois atualmente no mundo do trabalho as pessoas devem ser mais responsáveis por suas ações e exercerem com muito mais freqüência e intensidade papéis de liderança.

Estão desaparecendo cargos estanques e surgindo funções de trabalho destinadas ao cumprimento de atividades em que a responsabilidade do executor é cada vez mais cobrada. Ser responsável é responder por seus atos e, com grande freqüência, pelos atos de outras pessoas pelas quais somos responsáveis.

Quase tudo quase acontece antes de acontecer!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A resposta do porque geralmente o número de ações preventivas é menor que o de ações corretivas em um sistema de gestão.

Convém esclarecer que, à luz da ISO-9001:2008, somente podemos garantir que um sistema de gestão está realmente implementado quando o PDCA é “rodado” em sua plenitude, porém, verificamos em muitos casos que: planejamos (em alguns casos sem os devidos cuidados), realizamos o planejado, checamos o que foi feito, mas implementar as ações para obter as melhorias é algo que não colocamos em prática, quero dizer que o 4º quarto do PDCA não é trabalhado com a classe necessária.

A maior evidência de que não estamos praticando adequadamente o giro completo do PDCA é o fato de na prática se ter mais registro de não conformidades reais do que potenciais e, por conseguinte se implementar mais ações corretivas do que ações preventivas, o que é uma contradição básica, pois estatisticamente sempre teremos muito mais quase falhas do que falhas, quase acidentes do que acidentes, produto quase fora de especificação que produto não especificado. Vejamos:

1. no caso do acidente aéreo com o avião de companhia Gol no mês de…, claro que tivemos várias situações onde um avião se aproximou no ar perigosamente de um outro.

2. no caso da cratera da linha 4 do metrô de São Paulo, claro que tivemos situações onde daria para prever que um acidente de maiores proporções poderia acontecer.

3. no transito de qualquer média ou grande cidade vários veículos quase se chocam, até que alguns se chocam.

4. durante uma tempestade de raios, vários quase atingem seres humanos até que um ou outro atinge.

Estes exemplos nos mostram que a não conformidade potencial está constantemente nos rondando e quanto mais se exige do processo maior o índice de potenciais não conformidades, para corroborar com esta afirmação temos o alto índice de quebra dos carros de fórmula 1, eles quebram muito mais que os veículos que rodam pelas cidades, mesmo utilizando tecnologia de última geração, profissionais (engenheiros, mecânicos, estatísticos) com a competência adequada e pilotos que sabem pilotar. Isto acontece porque o processo está no limite, portanto em freqüente “quase não conformidade”.

Nas nossas organizações também deveríamos “viver” em situações controladas de não conformidade potencial, pois somente assim garantimos a eficácia e eficiência dos processos e conseqüentemente do sistema de gestão, pois vejamos, por definição temos: eficácia – extensão na qual as atividades planejadas são realizadas e os resultados planejados, alcançados e eficiência – relação entre o resultado alcançado e os recursos usados.

Isto quer dizer que quanto maior a eficácia de um processo maior a probabilidade de o produto estar em conformidade e, portanto o cliente deste processo satisfeito; e quanto maior a eficiência, mais adequadamente estão sendo utilizados os recursos necessários.

Equilíbrio inteligente entre eficácia e eficiência aumenta a competitividade da organização e para administrar um processo com eficácia e eficiência precisamos conhecer os seus limites e só poderemos identificar os limites de um processo se soubermos quais são suas potencias não conformidades.

Para chegarmos a esta condição temos que implementar a cultura do controle do processo focados no como atender as necessidades dos nossos clientes e com custos cada vez menores manter este ponto de equilíbrio já é uma potencial não conformidade.

Mas se estatisticamente ocorrem muito mais não conformidades potenciais, porque identificamos e tratamos mais não conformidades reais que potenciais? É claro que existem inúmeras causas, (sendo algumas específicas de cada processo) mas podemos destacar duas que se resolvidas, a gestão dos processos vão melhorar:

Primeiro: A dificuldade intrínseca da identificação, pois somente processos muito bem monitorados explicitam suas potenciais não conformidade, como não temos a cultura de esmiuçar os processos que gerenciamos, rotineiramente, somente quando o caldo entorna que percebemos as anomalias;

Segundo: Geralmente transformamos uma causa de não conformidade potencial em uma não conformidade real, ai o tratamento é equivocado, desmotivante e em algumas situações é esdrúxulo, concorrendo para diminuição da nobreza da ferramenta.

Exemplo: Um computador, utilizado no processo de contas a receber, que dá “pau” com certa freqüência, a principio, desde que não tenha comprometido o produto do processo que é receber as faturas, este computador dando “pau” é a causa “real” (toda causa é real) de uma não conformidade potencial, pois como dissemos um dos produtos deste processo é receber as faturas pontualmente, o computador dando “pau” pode influenciar no resultado do processo, portanto ainda não temos um produto não conforme e sim, uma potencial não conformidade. Se este conceito não for internalizado a cultura de prevenção não será implementada.

Para utilização adequada das ferramentas que propiciam as melhorias do sistema de gestão devemos levar em consideração 3 pontos:

1 Sabedoria, conhecimento, cultura
Quanto mais culto é o grupo mais comparações com maior número de padrões poderá realizar, o ignorante não tem com que comparar, poderá passar por uma cachoeira ver a água subindo e não percebe algo anormal, portanto não identificará não conformidades que no fundo são oportunidades de melhorias.

2 Visão crítica
Com sabedoria e maturidade, um grupo de profissionais crítico irá perceber oportunidades de melhorias com mais qualidade e quantidade, se o pessoal não é crítico provavelmente é tolerante e vai conviver com situações inadequadas apenas para não ter trabalho.

3 Método
Um grupo, culto, sábio e crítico vai precisar de um procedimento, simples, objetivo, lógico, inteligente, e democrático, que contemple:
a. a identificação do produto não conforme ou potencialmente não conforme;
b. o controle e correção do produto não conforme;
c. a seleção das não conformidades relevantes e triviais;
d. o critério para seleção do grupo de profissionais que vai analisar as não conformidades;
e. as ferramentas mais úteis para a identificação das causas, definição das ações necessárias;
f. os critérios para analisar criticamente as ações implementadas.

Sempre lembrando que atitude é infinitamente mais importante que procedimento, pois vejamos: em uma comunidade de pessoas com caráter adequado não precisamos de leis, já em uma comunidade de pessoas “sem caráter” de nada adiantam as leis.




Qualidade é…

domingo, 27 de dezembro de 2009

Qualidade é...

…ter a ciência que podemos escolher o que plantar, porém o que colher…

Ajardinar a esperança
Frei Betto


Você pensa que eu também não tenho vontade de mandar tudo às favas? Pensa que não me invade esse sentimento de frustração, essa amargura oca, essa acidez na boca da alma? Sim, tem hora que me canso de bancar o Sísifo de ficar carregando ladeira acima essa pesada pedra de uma esperança esburacada. Tem hora que me sinto Prometeu acorrentado, mas sem revolta, agradecido por ter as mãos atadas. E a única coisa que me passa pela cabeça é embriagar-me de alienação e ficar na varanda do apartamento, contemplando silenciosamente a cidade lá embaixo, miríades cristais reluzindo impessoais, anônimos, indiferentes ao meu estupor.

É muito frustrante semear esperanças. São grãos miúdos, delicados, quase invisíveis, ora plantados no caminho acidentado, ora num coração angustiado, sempre no terreno árido da pobreza insolente. E depois vem o árduo trabalho de regar todos os dias, ver emergir o primeiro broto, um fiasco de verde aflorando sobre a terra negra, e a gente é tomado por esse sentimento feminino do querer cuidar e começa então a acreditar que a primavera existe.

A esperança é um pássaro em vôo permanente. Segue adiante e acima de nossos olhos, flutua sob o céu azul, não se lhe opõe nenhuma barreira. É assim em tudo aquilo que se nutre de esperança: o amor, a educação de um filho, o sonho de um mundo melhor.

A política sempre foi alvo predileto da esperança, desde os tempos bíblicos.
No Antigo Testamento, aparece no passado (Jardim do Éden), no futuro (a Terra Prometida) e no presente (a confiança nas promessas de Javé). Os profetas sabiam ajardinar a esperança.

A esperança política é uma fênix. Sempre a renascer das cinzas. Foi assim no milenarismo monárquico medieval, na Revolução Francesa, na União Soviética.
Foi assim também com Tancredo Neves, visto como um novo Moisés que também não pisou a Terra Prometida. Agora as denúncias de corrupção fazem o pássaro cessar o vôo em pleno ar. Ele não pousa. Fica lá em cima empalhado por nossas miragens utópicas, enquanto uma dor dilacera-nos por dentro.

Então minha memória resgata o horror. Primeiro, os gritos. A pele toda se arrepia. Se eu fosse surdo, veria apenas o rosto esgarçado numa máscara de terror. Mas meus ouvidos se entopem dos berros estridentes. O corpo eriça-se. Não sou eu, nem a minha razão que o comanda. É o instinto animal, primevo, que vem lá de baixo da escala zoológica e agora se manifesta nessa reação de bicho acuado por uma ameaça próxima. Não há saída. Da sala de tortura, saio morto ou quebrado. A outra alternativa é mais assombrosa. A de sair irremediavelmente sonegado em minha identidade, mercadejando a informação em troca de uma sobrevivência indigna.

Ele abaixa o tom de voz e tenta vencer-me pelo aliciamento. Diz pausadamente que não tenho escapatória. E devo contar com a sua compreensão. Mas a sua paciência tem limites… tem limites… até que meu silêncio detona a explosão. Nele a fera racional irrompe em gestos calculados e começa a tortura.

Mas essa não é a única modalidade de tortura. Há outras, tão ou mais terríveis, porque escarafuncham a alma, ferem fundo o espírito, arrancam o que o coração guarda, deixando-o miseravelmente vazio. É a dor de ver um projeto adulterado pela ambição desmedida, a sede de poder, o pragmatismo inescrupuloso, essa esperteza tão pusilânime que acaba por engolir o esperto, como a cobra morde o próprio rabo.

Um sonho se tece de mil fios delicados, até que um dia a imagem se transporta da mente à realidade. Talvez não se saiba aonde exatamente se pretende chegar. É como no amor, os sentimentos criam vínculos sem que se saiba ou se possa adivinhar o porvir. Sabe-se, contudo por onde não ir. Como
no poema de José Régio, não sei por onde vou, / não sei para onde vou, / sei que não vou por aí! Não vou pelas vias que conduzem os passos do inimigo. Não trilharei os caminhos sombrios, tortuosos, da corrupção, da sonegação, da falcatrua e da negociata.

Um corrupto é o resultado de pequenas infidelidades. Ele não se faz senão através de detalhes que se lhe acumulam na alma: levar vantagem num negócio, apropriar-se de um bem aparentemente insignificante, trair a confiança alheia. Não é o dinheiro que destrói a sua moral. É a ganância, a arrogância, a convicção de que é mais esperto que os demais.

Não há ética sem humildade, saber ser do tamanho que se é, nem maior nem menor do que ninguém. E sustentar a esperança na certeza de que só haverá colheita se desde agora se cuidar, delicada e anonimamente, da semeadura.

Frei Betto é escritor


Qualidade é…

sábado, 21 de novembro de 2009

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“…tratar as pessoas no mínimo como “máquina”, é claro a mais sofisticada, espetacular, brilhante e essencial das máquinas!”

Quanto de hipocrisia (gramas, quilos ou toneladas), tem na frase “o patrimônio mais valioso da nossa organização são as pessoas….”, quando dita por uma percentagem considerável dos nossos empresários ou mesmo executivos. Esta frase se equivale a “o melhor do Brasil é o brasileiro…”, enquanto nós sabemos que poucos cidadãos no mundo são tão mal tratados como um brasileiro comum em muitas organizações deste país.

Nas últimas décadas presenciamos o uso de ferramentas sofisticadas de gestão da infra-estrutura, focadas em manutenção preventiva, preditiva …., alguns equipamentos são até “paparicados”; o que é justo, pelo capital investido e/ou pelo valor que agrega à organização.

Porém em relação às pessoas o que verificamos em muitos casos é um plano para o ocupante de uma determinada função, que tem início em uma descrição de função, onde os requisitos são tantos e tão exigentes que parecem querer contratar um doutor, porém na prática, entre salários e outros benefícios dá para contratar no máximo “um Zé ninguém”.

Depois de contratado cadê o plano de gestão para a manutenção das competências, cadê o projeto de “up-grade”, cadê o paparico, além daquele estrategicamente externado na festa de fim ano, onde os diretores, por conhecerem tão bem “o maior patrimônio da empresa” chegam a cumprimentar duas, três ou quatro vezes o mesmo funcionário.

Com a ciência de estarmos tocando numa das maiores, se não a maior causa, (a hipocrisia) da pouca competitividade do nosso país no comércio mundial, transcrevemos abaixo o material elaborado pelo professor Idalberto Chiavenato

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